1. A dona-de-casa ou a dona de casa?
dona-de-casa. O dicionário Houaiss nos ensinava que devíamos escrever sem hífen:
“os elementos das palavras compostas em que se mantém a noção da composição, isto é,
os elementos das palavras compostas mantêm a sua independência fonética, conservando
com a sua acentuação própria, não conservam, considerados isoladamente, a sua significação,
é leite;
em copo-de-leite, com hifens, temos um conjunto com uma nova unidade de sentido:
copo-de-leite
com elemento de conexão só receberão hifens se for palavra ligada à botânica ou à zoologia:
plantas devem ser grafados sem hífen: pé de moleque, pé de cabra, general de divisão,
pão de ló, fim de semana, disse me disse, dia a dia, passo a passo…
Assim sendo, agora não há mais dúvida: DONA DE CASA deve ser escrita sem hifens.
2. Não confunda gênero com sexo
Cadeira é um substantivo feminino e banco é masculino. Por mais que você examine uma
cadeira e um banco, não encontrará nenhum sinal do sexo feminino na cadeira nem do sexo
masculino no banco. Bancos e cadeiras não mantêm relações sexuais para fazer
terminadas em “a” que são masculinas: o problema, receber um tapa, dar dois telefonemas,
o gênero é a tradição fixada pelo uso. A comparação com outras línguas, mesmo de origem
latina, comprova a inconsistência do gênero gramatical: a viagem / el viaje (espanhol);
indistintamente, a homens e a mulheres: o cônjuge, o indivíduo, o sósia, a criança,
dois sexos. A distinção é feita pela anteposição de “o”, para o masculino, e “a”, para
ou seja, “a personagem” poderia ser usada tanto para a mulher quanto para o homem.
Hoje em dia, porém, PERSONAGEM tornou-se um substantivo comum de dois: a personagem,
para mulheres, e o personagem, para homens. O dicionário Houaiss e o Vocabulário
Ortográfico da Academia Brasileira de Letras consideram PERSONAGEM substantivo
nossos principais dicionários, o feminino de poeta é POETISA. Recentemente,
no meio artístico, tornou-se moda distinguir
A POETISA (=pessoa do sexo feminino que faz poesia)
de A POETA (=mulher que faz poesia de reconhecida qualidade literária).
Trata-se de um juízo de valor que ainda não tem o respaldo da maioria
dos estudiosos e de nossos principais dicionários. Se essa moda “vai pegar”,
crisma, diabete, gambá, hélice, ordenança, personagem, sabiá, sentinela,
soprano, suéter, tapa, trama…
Nenhum comentário:
Postar um comentário